Após presenciar a morte da mãe, Emily ganha a chance de recomeçar

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Emily* é uma menina encantadora e muito meiga, mas com quase 6 anos já carrega consigo as marcas do trauma que viveu. A pequena morava com sua mãe e seu irmão de 7 anos, em uma pensão próxima ao bairro do Glicério, em São Paulo (SP).

Com 4 anos, passava o dia em casa brincando, enquanto aguardava na fila de espera a oportunidade de ter uma vaga na creche. Sua mãe, usuária de drogas, não conseguia um emprego fixo que suprisse todas as necessidades da casa, por isso, contava com o apoio da vizinha Elizabeth, que a aconselhava para procurar um trabalho que a ajudasse mudar de vida. Estava sempre presente e disposta a ajudá-la com o que fosse necessário para ver as crianças crescerem bem e saudáveis.

Até que um dia, a pensão onde Emily e sua família morava pegou fogo. Sem saber o que fazer e sem ter como sair do incêndio, a mãe de Emily não pensou duas vezes em tentar salvar a vida dos filhos. Em meio as chamas que se alastravam pelo local, Emily foi a única que conseguiu escapar pela janela, presenciando a triste cena do falecimento de sua mãe e irmão.

“Foi uma situação muito triste. A mãe e o irmãozinho acabaram falecendo em um acidente que teve em casa. A pensão acabou pegando fogo e eles só conseguiram salvar a pequena, pois o único lugar que tinha para passar era uma janelinha minúscula. Então só ela conseguiu”, conta Yolanda Menezes, diretora da Associação Maria Flos Carmeli.

A organização, que atende crianças de 0 a 6 anos incompletos, pôde qualificar seu atendimento e ampliar três novas vagas, após ser conveniada a Fundação Abrinq, por meio do Programa Nossas Crianças, em 2017. Yolanda sabia que a parceria transformaria o cotidiano da associação, mas não imaginava que pudesse fazer parte de uma grande história de superação.

Emily, que estava morando temporariamente com sua vizinha após o incêndio, foi contemplada com uma dessas vagas. Sabendo do ocorrido e conhecendo Elizabeth, Yolanda comprava algumas coisas essenciais como alimentos para ajudá-las nessa nova fase.

“Comprávamos alimentos e dávamos um pouco para essa vizinha, roupas, brinquedos também. Dávamos para levantar um pouco a autoestima, porque a Emily era muito vulnerável a qualquer coisa e era muito carente’, lembra Yolanda.

Emily quase não chorava, mas demonstrava os traumas que viveu por meio do afeto: “Qualquer pessoa que entrava ela já abraçava. Você sentia que ela precisava de uma atenção maior”, relata.

Apesar de não demonstrar através do choro o que sentia, Emily era consciente de tudo o que aconteceu. Gostava muito de desenhar e frequentemente estampava nos papéis o que guardava na memória.

“Ela demonstrava em vários desenhos que fazia. Desenhava pegando fogo no quarto, uma pessoa gritando pela janela. Ela sabia e contava normalmente para qualquer pessoa que perguntasse. Falava que ficou presa e que a mãe a salvou, mas que agora está no céu”, explica Yolanda.

Após entrar na organização, Emily passou a ter a atenção e os cuidados básicos que precisava. Em paralelo, a associação junto a uma assistente social tentava localizar o pai de Emily, que não possuía contato com os filhos.

Ao saber da história, optou imediatamente por ir atrás da guarda da filha já que não era registrado na certidão de nascimento da menina. E, em 2018, Emily pôde, pela primeira vez, dizer que tem um pai.

A pequena foi estudar e morar no Rio Grande do Sul junto ao pai, a madrasta e mais dois irmãos. Aos poucos vai superando o que presenciou, levando consigo a imaginação de sua mãe no céu.

“Ela fala que tem uma outra família e que a Elizabeth é a vó dela. Ela está contente porque agora tem um pai”, diz Yolanda.

Elizabeth viu Emily nascer e crescer e com frequência pergunta se está tudo bem com a pequena que tomou um enorme espaço de seu coração. Sabe que o pouco que tem já é muito para outras pessoas. “Ela fica feliz por saber que Emily não está só”.

Yolanda sente-se aliviada por saber que apesar de tudo o que aconteceu, a pequena Emily teve a oportunidade de recomeçar ao lado de sua família:  “Estávamos com medo dela ir para um abrigo, mas graças a Deus conseguimos achar essa família”, conta.

“Eu agradeço do fundo do coração a Fundação Abrinq e quero que continuem com esse coração tão bom que têm de ajudar o próximo”, completa Yolanda, emocionada ao se lembrar de tudo o que aconteceu.

Apoie a Fundação Abrinq e transforme vidas você também! Doe agora.

Imagem e nome fictícios para proteger a identidade da criança.

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