Com apenas 5 anos, Renan se recupera do trauma que viveu em casa

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Aos 4 anos de idade Renan* passou a frequentar a Associação Lar do Pequeno Assis em Campo Grande (MS), onde morava com sua mãe e suas irmãs. Ao chegar na instituição, a mesma percebeu que havia uma marcação do Conselho Tutelar em sua ficha, indicando que ele havia sofrido agressões físicas no passado.

Por ser uma realidade frequente, a organização conseguiu contratar, com o apoio da Fundação Abrinq, um profissional e aplicar um projeto sobre violência para as crianças de 4 a 6 anos atendidas, a fim de ensiná-las, por meio da música, desenhos e brincadeiras, sobre o que é certo e errado.

Renan participou de todas as atividades, mas nunca contou o que aconteceu em casa. A assistente social da associação, Jeniffer Silva, conta que ele era uma criança bastante introvertida, quase não brincava e, muitas vezes, era agressivo com os colegas. Até que certo dia, Renan, já com 5 anos, sofreu outra agressão. Com vergonha, tentava esconder seu rosto, machucado, das outras crianças e professores. Mas com o apoio do projeto sentiu-se à vontade para contar o que aconteceu ao ser questionado.

“Ele chegou a ficar com o olhinho roxo e falou que a mãe tinha batido nele. Nós vimos a ação dele como um fortalecimento, porque ele falou que a mãe havia agredido. Ele teve coragem de falar”, conta Jeniffer.

Ao tomar ciência, a organização entrou em contato com o Conselho Tutelar para que pudesse dar andamento no caso e, assim, seguir o fluxo de denúncia para a proteção da criança. Pela agressão ter acontecido outras vezes, Renan foi para um acolhimento institucional, evitando sofrer outras violações.

Renan tem mais 5 irmãs e espera a sexta, mas era o único que apanhava. As crianças sofreram muito com a separação e a distância fez com que sua mãe percebesse que as atitudes tomadas até então eram inadequadas.

Para ajudar, a organização passou a trabalhar e dar assistência para a família de Renan. “Demos toda a assistência para essa mãe reconquistar a guarda do filho, porque em nenhum momento ela falou que não queria a guarda. Ela assumiu que estava bem nervosa e que a situação foi grave, mas ela queria o filho de volta”, conta Jeniffer.

A profissional conta que por meio do projeto foi realizado um intenso trabalho para que a mãe de Renan pudesse ser fortalecida e ter condições de recuperar a guarda do filho. Com o processo em andamento, ela entrou em trabalho de parto e a organização passou a dar um suporte ainda maior para a família.

“O sexto irmão estava na barriga e ela tinha que ir em vários lugares, então demos esse apoio de ligar, encaminhar, orientar para que ela tivesse calma e fomos acompanhando”, explica.

O processo durou cerca de 2 meses e após ocorrer a audiência Renan retornou para a casa. “Quando ele retornou foi uma alegria para o projeto também. Ele foi acolhido novamente e hoje parece outra criança”, ressalta Jeniffer.

Entretanto, para que Renan pudesse continuar em casa e, consequentemente, no projeto, sua mãe precisou mudar suas atitudes e seguir todas as recomendações feitas pelo juiz e pela própria organização.

“A gente vê uma vitória, porque caso ele não tivesse se fortalecido no projeto, não teria coragem de contar e talvez passasse despercebido. A mãe também não teria passado por esse processo, porque precisou passar, para mudar”, relata. “Hoje não temos problema nenhum com eles e ela é uma mãe muito amorosa com os filhos”, completa Jeniffer.

A família continua sendo acompanhada pela organização e pela instituição que abrigou Renan. Com o acontecido, ele também mudou, passou a brincar, conversar e conviver bem com os colegas. Renan teve uma nova chance ao lado de sua mãe e, juntos, puderam construir uma nova relação.

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* Foto e nome fictícios para preservar a identidade da criança.



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