Com 38 kg, João (5), muda a alimentação com a ajuda da professora e perde 8,5 kg

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Na Paraíba, região nordeste do País, mais de 12 mil crianças¹, de 0 a 5 anos, estão em situação de obesidade. O cenário se repete ao olharmos para a capital, João Pessoa, que sozinha soma 1.042 crianças¹, da mesma faixa etária, com sobrepeso. João², faz parte deste número.

Com apenas 5 anos, o pequeno não se alimentava de maneira saudável. Sua comida preferia era pizza com refrigerante, que inclusive, a levava para a merenda na escola. Os pais também não eram adeptos à verduras, legumes e frutas — essenciais para o desenvolvimento — por isso, não as introduziam com frequência na alimentação da família. A má alimentação continuou e João chegou a pesar 38 quilos, número considerado alto para a sua idade e estatura.

Em paralelo, as professoras do Centro de Educação Infantil Roberta Rodrigues Tavares — onde João estuda — participavam de treinamentos realizados pela Fundação Abrinq sobre a importância de adquirir hábitos alimentares saudáveis.

Após os treinamentos, as professoras perceberam que alguns de seus alunos, não gostavam de comer frutas e legumes e, ao que até então aparentava ser apenas uma coincidência, não tinham muita disposição. Vendo a necessidade de intervir, decidiram introduzir o assunto nas salas de aula e fazer um projeto para calcular o índice de massa corpórea dos alunos (IMC).

Passaram o dia medindo, pesando e calculando, quando repararam que João estava acima do peso recomendado para a idade.

“Nós fizemos um projeto com os alunos para ver quem era o mais pesado da sala ou o mais leve. João era o mais pesado, porém não era o mais alto. Ele estava com início de obesidade, então pedimos permissão para falar com os pais e ver a sua alimentação, para entender o que realmente estava acontecendo”, conta a professora Janaina.

A cada fim do bimestre a escola realiza uma reunião com os pais, mas o tempo não é suficiente para conscientizá-los sobre a importância da alimentação saudável. Janaina, preocupada com a saúde dos alunos, principalmente a do João, passou a enviar avisos nas agendas das crianças.

“Já houve casos em que os pais relataram que não gostavam de comer verduras, mas como o filho está aprendendo na escola, ele resolveu comer também”, comenta Janaina.

A professora não desistiu e permaneceu mobilizando os pais de João, até que, aos poucos, o menino começou a aceitar, cada vez mais, os alimentos orgânicos.

Com a mudança do hábito alimentar, João passou a levar frutas para comer no recreio, o que ocasionou uma grande mudança em sua saúde. “Hoje na alimentação dele, ele come de tudo um pouco. Agora na merenda ele traz uma maçã, uma banana ou outra fruta”, relata.

Depois de um tempo, as professoras repetiram o cálculo do IMC, e receberam uma ótima notícia: João, já com 6 anos, estava com 29,5 quilos. As professoras respiraram aliviadas e orgulhosas do trabalho. Sabem que precisam continuar conscientizando os pais para manter uma boa alimentação, mas a preocupação com o sobrepeso do aluno pôde diminuir.

“São só agradecimentos. Os pais sempre falam que os filhos evoluíram, que cresceram e que só foi possível com a nossa participação. Mas sabemos que não adianta a gente fazer a nossa parte e os pais não fazerem a lição de casa. Enquanto tem o acompanhamento da família o aproveitamento é 100%”, relata Janaina, com a sensação de dever cumprido.

A professora faz questão de mostrar o quanto os treinamentos foram essenciais para essa mudança de olhar nas salas de aula: “As formações para mim foram excelentes e gratificantes, porque eu era professora da educação fundamental e esse foi meu primeiro ano na educação infantil. Para mim, foi um outro mundo, vi como foi grande e como eu cresci. Onde eu trabalhava não tinham essas informações e quando eu vim para a educação infantil eu tive essa oportunidade”, comenta.

“A gente sabe que o professor que não faz formações, que não faz reciclagem, que fica parado, não é bom, porque as crianças estão evoluindo. Os alunos de 10 anos atrás são diferentes dos de hoje”, completa.

Janaina faz parte dos 133 professores que receberam treinamentos, por meio do Projeto Hábitos Alimentares Saudáveis, que visa promover hábitos alimentares saudáveis para crianças de até 5 anos em João Pessoa (PB).

¹ Fonte: Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).

² Imagem e nome alterados para proteger a identidade da criança.

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