Creche em Santa Luzia (MG) aprimora sua proposta pedagógica e se torna referência na região

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A Creche Comunitária Leonardo Fernandes Franco, localizada em Santa Luzia (MG), sofria com a alta demanda por vagas na região. Mais de 70 crianças chegaram a ficar na fila de espera para terem acesso à Educação Infantil.

Entretanto, ao ser conveniada pela Fundação Abrinq, a instituição conseguiu contratar mais dois profissionais, 1 professor e 1 auxiliar de desenvolvimento, que possibilitaram a criação de uma nova turma para crianças de 2 anos. Ao todo, foram abertas 20 novas vagas.

“Nós pudemos ampliar essa turma e possibilitar o acesso de mais crianças a Educação Infantil de qualidade, explorando o lúdico na prática do brincar e fazendo com que essas crianças sejam protagonistas da educação”, conta Rafaella Veloso, coordenadora da creche.

A ampliação de vagas não foi a única melhoria realizada pela creche. Com o convênio, foi possível adquirir novos materiais pedagógicos, acervos de livros e até brinquedos para a construção de um playground.

“Nós conseguimos construir uma biblioteca, que era uma necessidade e pudemos melhorar o nosso acervo, porque tínhamos alguns livros, mas não tínhamos a estrutura física. Também conseguimos adquirir materiais pedagógicos de qualidade que realmente fazem a diferença no desenvolvimento da criança”, explica.

Para aprimorar ainda mais o desenvolvimento das crianças, a instituição reaproveitou um espaço verde para construir um playground. Caracterizado com brinquedos de madeira, o novo espaço coberto pelas sombras das árvores proporciona um desenvolvimento completo para as crianças que, agora, têm contato direto com a natureza enquanto brincam.

“Tínhamos um espaço verde bem amplo aqui e não queríamos deixar de lado, porque acreditamos que faz diferença na formação da criança”, relata Rafaella.

Com o apoio técnico da Fundação Abrinq, a creche também mudou o seu olhar perante sua proposta pedagógica e passou a realizar ações que antes eram distantes de sua realidade como envolver a comunidade nas atividades da instituição e abrir o espaço para as famílias das crianças atendidas.

“Tínhamos muita resistência de aplicar o lúdico, porque é das próprias formações acadêmicas e profissionais acharem que as crianças só precisam de papel. No início foi um grande desafio. Trabalhamos a importância com os profissionais e com a compra dos materiais pedagógicos pudemos colocar em prática a teoria”, ressalta.

Com as melhorias, a creche tornou-se referência na região e, atualmente, atende 340 crianças entre 1 e 5 anos.

“Nós existíamos, mas agora que estamos crescendo e florescendo. Nós somos uma instituição antiga, mas só depois que tudo isso aconteceu que conseguimos florescer ainda mais. Foi necessário tirar a gente da zona de conforto e movimentar para hoje darmos continuidade nesse projeto”, completa Rafaella.

Quando o cuidado ultrapassa o acesso à educação: Conheça Bernardo

Bernardo*, de 2 anos, foi um dos beneficiados pela ampliação de vagas na creche. Após passar a frequentar a instituição, os educadores começaram a perceber que Bernardo possuía algumas dificuldades na fala, para interagir com as outras crianças, não gostava de mudar de ambientes, fazia muitos movimentos repetitivos e em alguns momentos até apresentava comportamentos agressivos.

Com essas características, a creche começou a suspeitar que ele pudesse ser autista e decidiu chamar a família para uma conversa. Como ele era muito novo, seus pais acreditavam que os comportamentos pudessem ser normais para a idade. No entanto, ao completar 3 anos e iniciar o desfralde, a organização precisou retomar o assunto com os pais.

“Nós chamamos a família e perguntamos se eles estavam cientes e se observaram alguma coisa. Com três anos falamos que não dava mais para usar fralda e que precisávamos trabalhar a autonomia [do Bernardo]”, relata Rafaella.

A coordenadora conta que inicialmente os pais foram resistentes e não aceitavam a possibilidade de o filho ser autista. Mas, após muitas conversas e observações enviadas pela creche, passaram a entender as dificuldades que Bernardo tinha e decidiram ir atrás de um diagnóstico médico.

Bernardo ficou na instituição durante quase dois anos e ao ser de fato diagnosticado com autismo sua família decidiu retirá-lo da organização para que pudesse receber o tratamento adequado com profissionais específicos.

“Eu fiquei feliz pela família, pois ela viu que ele precisava de alguns cuidados maiores e ele foi para a rede, que o encaminhou para o psicólogo, fonoaudiólogo e outros especialistas”, completa.

Hoje, com quase 5 anos, Bernardo se recorda de todo o cuidado que recebeu na Creche Comunitária Leonardo Fernandes Franco. Rafaella conta que, por ele morar perto da instituição, o encontra com frequência e, em todos os encontros, o menino faz questão de cumprimentá-la.

“Ele mora aqui perto e quando ele vê a gente sempre cumprimenta e mexe. Ele reconhece”, finaliza.

A ampliação das vagas além de possibilitar o acesso à Educação Infantil também possibilitou que Bernardo recebesse um tratamento adequado e pudesse se desenvolver de acordo com suas necessidades.

O direito à educação não pode acabar

O convênio com a Fundação Abrinq encerrou em 2019, após 2 anos de parceria, mas Rafaella garante que a Creche Comunitária Leonardo Fernandes Franco se preparou o suficiente para dar continuidade às ações sem precisar diminuir o número de vagas ou profissionais.

“Sabíamos que o convênio teria tempo limitado e para que não tivéssemos que diminuir a demanda e nem mandar nenhum profissional embora fomos nos preparando”, diz Rafaella.

Com a reestruturação, crianças que antes aguardavam uma oportunidade agora têm o direito à Educação Infantil garantido.

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* Nome e foto fictícios para preservar a identidade da criança.



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