Mãe solteira, Elizabete e os filhos trabalhavam em uma feira livre para sobreviver

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Localizada no município de Paulista (PE), a Associação Santa Clara, uma das organizações sociais conveniadas à Fundação Abrinq, por meio do Programa Nossas Crianças, oferece atendimento para a efetivação dos direitos e da promoção da qualidade de vida das crianças e dos adolescentes, promovendo a inclusão social e a conquista da cidadania, bem como, o resgate da autoestima e o acesso à cultura e a educação. A associação desenvolve atividades com foco na cultura nordestina e beneficia crianças e adolescentes, de 7 a 18 anos, atendendo também os familiares e a comunidade, por meio de oficinas, palestras e visitas domiciliares.

Moradores de comunidades que vivem em situação de violência, fome, falta de saneamento e evasão escolar, centenas de crianças e jovens são beneficiados pelas visitas domiciliares realizadas pela organização, que identifica famílias que vivem em condições de vulnerabilidade econômica e social. Muitas delas residem em casas de taipa ou lona.

“Enquanto os pais passam o dia buscando o sustento da família, os filhos ficam nas ruas, não frequentam a escola e nem recebem a alimentação necessária para o desenvolvimento saudável, ficando vulneráveis a situações de violências e drogas. A organização é um porto seguro para eles, pois possibilita que seus filhos sonhem com um futuro melhor e com novas perspectivas de vida”, revela Cristiane da Conceição Tenório, vice-diretora da Associação Santa Clara.

As atividades do espaço incluem oficina de informática; oficina de música; oficina de dança; ensino religioso; serviço psicopedagógico; assistência social; e ensino sociológico. Dentro do currículo, além das atividades, a organização oferece aos alunos ações recreativas; excursões; formação humana; atividades culturais; festas comemorativas; e colônia de férias.

Orientada por uma assistente social da cidade, Elizabete*, mãe solteira de três crianças, procurou a organização, que desenvolve o projeto Arte e Cultura em Ação. Com foco em trabalho infantil, a iniciativa beneficia 93 crianças e adolescentes, entre 7 e 17 anos, por meio da implantação de um atendimento psicossocial com a finalidade de identificar e intervir nos casos de trabalho infantil.

“Em 2006, constatamos um aumento alarmante do trabalho infantil em nosso município, principalmente casos com adolescentes. Muitos estavam trabalhando com fretes, em feiras e mercados públicos do nosso bairro, outros em trabalhos domésticos e nas praias da região como comerciantes. A Fundação Abrinq surgiu para nos ajudar na erradicação desse problema e dar suporte para estabelecermos e fortalecermos nossa relação com a rede de atendimento, que não tínhamos antes da parceira”, afirma Cristiane Tenório.

Diariamente, sem ter com quem deixar as crianças, após a escola, a mãe levava os filhos para uma feira livre da cidade, onde trabalhava em uma banca de propriedade da sobrinha. Lá, Elizabete conseguia alimentar os filhos, que a ajudavam na venda de frutas, verduras e hortaliças.

“A mãe não tinha condições e ninguém para ajudar a cuidar das crianças, por isso, nos procurou. Até o fim do ano passado, o filho mais velho, de 12 anos, e o filho do meio, de 10 anos, ficavam aos nossos cuidados na organização. Agora, com a pandemia, recebi a notícia que eles voltaram a ir à feira com a mãe, por volta do almoço, para ela conseguir alimentá-los. Em paralelo, damos todo o suporte à família, inclusive, com alimentação, para que os meninos não voltem a trabalhar, até retomarmos as nossas atividades presenciais”, completa Cristiane.

Por conta das medidas de isolamento social, a Associação Santa Clara teve que adaptar suas atividades e o atendimento às famílias. Seguindo os protocolos de segurança, a organização ajuda as crianças e os adolescentes com cestas básicas e planeja e trabalha as atividades pedagógicas de forma online. Em muitos casos, usa o WhatsApp, para realizar os atendimentos e dar suporte às famílias e crianças.

“Nossas atividades, no momento, são todas feitas de forma remota com as famílias, as crianças e os jovens. Quando identificamos algum caso que necessita de um apoio maior, marcamos um atendimento exclusivo e presencial, para ajudar as famílias com mais dificuldade”, diz Cristiane.

O trabalho infantil é uma realidade comum em diversas regiões do Brasil. Os últimos dados do IBGE** mostram que quase 2,4 milhões de crianças e adolescentes estão em situação de trabalho infantil no país. Sem irem à escola, por conta da pandemia, meninos e meninas acabam ficando mais expostos à violação.

“Identificamos outro caso de trabalho infantil em setembro. Um dos nossos adolescentes comentou, com a nossa psicóloga voluntária, que estava trabalhando na lanchonete da mãe. Rapidamente iniciamos um trabalho de conscientização e apoio à mãe do menino, pois ele não estava fazendo nenhuma atividade pedagógica que passávamos aos alunos”, conta Cristiane.

Além de colocar em risco a segurança e saúde, o trabalho precoce também impacta diretamente no desenvolvimento das crianças. Diga não ao trabalho infantil! Acesse www.naoaotrabalhoinfantil.org.br e saiba mais sobre a violação.

*Nome e imagem fictícios para preservar as identidades das crianças;
**Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) – 2016. 



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