GABRIEL, AOS 10 ANOS, SOFRIA ABUSO SEXUAL EM TROCA DE PRESENTES

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Gabriel*, de apenas 10 anos, morava com sua mãe na grande São Paulo quando recebeu um convite para auxiliar um rapaz a vender DVDs na feira, em troca, receberia R$ 10 toda vez que fosse ajudá-lo.

Com a autorização da mãe, Gabriel ia semanalmente vender DVDs dos mais variados gêneros, incluindo vídeos pornográficos. Até que um dia, o rapaz responsável pelos produtos, chamou o menino para ajudá-lo a levar alguns itens que haviam sobrado até sua casa. Chegando lá, inseriu um dos vídeos com conteúdo adulto para assistir e disse que se Gabriel fizesse o que aparecia no filme, poderia ganhar o que quisesse.

Gabriel há muito tempo queria um tênis, mas sabia que sua mãe não tinha condições de comprá-lo, então aceitou* fazer sexo oral no homem que prometeu comprar o calçado e diversos outros presentes. Os abusos foram aumentando e apesar não ter penetração, Gabriel era induzido a reproduzir atos sexuais de filmes pornôs, em troca levava balas e itens variados que ganhava para casa.

Sem saber o que acontecia, sua mãe pensava que os itens eram doados para o filho pelas pessoas que frequentavam a feira. Não imaginava que se tratavam de uma troca, da qual Gabriel não sabia que era errado.

Com medo de ser intitulado como ‘bicha’, um apelido comum entre as crianças para zoarem as demais, Gabriel nunca contou para ninguém o que passava. Quando um dia, chegou na escola e durante uma aula sobre direitos da criança e do adolescente, percebeu que não era certo o que o rapaz mandava-o fazer.

Sem entender muito bem o que estava acontecendo, Gabriel resolveu pedir ajuda para a coordenadora da escola. Contou que viu na aula que era errado e que aquilo acontecia com ele, também relatou que não queria mais frequentar a feira, porém, na situação que se encontrava, o rapaz não o deixava parar.

A coordenadora, surpresa com o relato, chamou a mãe do aluno para conversar. Contou o que ocorreu e ao perceber que ela não sabia dos abusos, resolveu ajudá-la a dar andamento no caso. A escola preparou um relatório e enviou para o Conselho Tutelar a situação de Gabriel, que conseguiu parar de frequentar a feira e interromper os abusos.

Entretanto, o abuso sexual não foi a única violação de direitos que o pequeno sofreu. Ao ter que trabalhar na feira, deixou de lado as necessidades mais importantes para uma criança como estudar, brincar e se desenvolver de maneira saudável e plena, sem nenhum risco para sua saúde e proteção.

A escola procedeu com todos os encaminhamentos necessários, porém, com medo, a mãe de Gabriel optou por não aderir ao processo e se mudar com o filho.

Aos 14 anos, Gabriel retornou para onde morava e voltou a frequentar a mesma escola. Relata para a coordenadora que não fica mais na rua como antigamente e que não frequenta a feira onde aconteciam os abusos. Apesar de ter superado o ocorrido, Gabriel é muito quieto e tem dificuldades para ler e escrever.

“Ele não tem iniciativa para nada. É muito quieto. Eu estou trabalhando muito essa questão com ele, o mundo anda e ele precisa se mexer”, relata Lorena*, coordenadora que acompanhou todo o caso.

Mesmo cessando as violações, Gabriel e sua mãe nunca deram andamento no caso, mas entenderam que ao ficar na rua a criança torna-se vulnerável a qualquer violação.

Gabriel é uma dentre milhares de vítimas que não prosseguiram com a denúncia. Precisamos mudar este cenário. Abuso sexual é crime, se souber de algo, denuncie!

* Nomes alterados para preservar as identidades dos envolvidos.
* No entendimento legal, não é válida nenhuma forma de consentimento entre as partes, pois trata-se de uma criança — menor de 18 anos — sendo o adulto, em sua função de proteger e impedir situações deste tipo, sempre o responsável.
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