Beneficiado pelas ações da Rede Nossas Crianças, o jovem Orlando Tonholi, relembra os 9 anos da sua trajetória pelos projetos sociais

“O que falar sobre os projetos sociais que participei oriundos da Rede nossas Crianças? De fato, só posso começar respirando fundo, assim coloco em ordem o sentimento de nostalgia misturado com muitos outros que surgem a cada lembrança dos 9 anos de minha participação nesses projetos.”

Assim começa o nosso papo com o jovem Orlando Araújo Tonholi, que aceitou nosso convite para relembrar a sua trajetória nos projetos proporcionados pela Rede Nossas Crianças.

Em 1997, por vontade própria, Orlando, aos 13 anos, decidiu se inscrever no antigo Centro de Juventude do Centro Social de Parelheiros, que integra a Rede Nossas Crianças. Uma escolha que, sem saber, seria responsável por direcionar o rumo da vida dele.

Ele teve a oportunidade de participar dos projetos sociais firmados por meio da Rede Nossas Crianças da Fundação Abrinq de 1998 à 2007, ora sendo jovem atendido e em outros como voluntário. Entre eles destacam-se os projetos Biblioteca Viva (1998 a 2000), Programa Cidadania Jovem (1999 a 2000), Mudando a História (2001 a 2006) e Virada de Futuro (2004 a 2007).

Foi em atividades destes projetos da Rede Nossas Crianças que Orlando experimentou pela primeira vez culinárias estrangeiras; criou o hábito de apreciar expressões artísticas; teve acesso a educação superior; teve acesso e contribuiu para ampliação de acesso a literatura de qualidade.

“O Projeto Biblioteca Viva, além de um de seus objetivos principais de prover o acesso à literatura de qualidade, foi a minha primeira porta de acesso ao mundo que ia muito além da minha comunidade. Foi ali que tive a chance de lidar com diferenças, conhecer o novo, lidar com responsabilidades e o mais importante, ver o impacto positivo na vida das crianças. Foram inúmeras as crianças atendidas e sempre tenho na lembrança uma ou outra que me marcou de alguma forma, seja pela relação estabelecida entre mediador X criança ou mesmo por perceber que foi a partir da mediação de leitura que criança passou a se interessar por livros. Fiz parte de uma das primeiras turmas de mediadores; logo depois participei da turma de multiplicadores e educador referente pelo Programa Cidadania Jovem e Mudando a História. Enfim. Foi como geração após geração que desencadeou a mediação de leitura pelo país. Uma satisfação enorme ter feito de tudo isso”, contou.

Em um dia de atividade do Projeto Virada de Futuro, o jovem se deu conta que o tema abordado era o que ele tinha que fazer: um intercâmbio cultural. Hoje, aos 29 anos, é formado em Comunicação Social, Pós-Graduado em Gestão de Projetos no exterior; fez um intercâmbio cultural durante 5 anos e visitou 17 países. De volta ao Brasil, Orlando trabalha na gestão de projetos de infraestrutura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 no Rio de Janeiro.

“O Projeto Virada de Futuro, sugestivamente, fez jus ao seu nome. Foi um dos grandes marcos em minha vida. Em minha visão, este projeto veio como um complemento ao atendimento tradicional da Rede Nossas Crianças. Ofereceu um suporte àqueles jovens que haviam sido atendidos até o final da adolescência e que então passaram a encarar os desafios da vida adulta. Ter uma bolsa de estudos, em geral de nível superior, com acompanhamento em grupo pela equipe técnica da Fundação Abrinq proporcionou uma experiência fantástica para todos os jovens atendidos. Foi durante as diversas Atividades Complementares que senti o nível maturidade em que minha juventude passava a ser exposta no ciclo natural vida. Apesar de alguns obstáculos, consegui manter um excelente aproveitamento durante meu curso de Comunicação Social. Não me arrependo de ter escolhido a área de comunicação, mesmo sabendo que minha vida profissional trilhou em outra direção. Foram quatro anos de constante caminhada e evolução. A escolha de uma profissão, os caminhos a serem trilhados na vida profissional, os desafios do mercado de trabalho, a convivência com a realidade dos outros jovens do projeto e todos os outros temas abordados enriqueceram muito a experiência como um todo. Foi lá onde tive a chance de ter uma mentora da minha área profissional que me ajudou a refletir a relação de aspirações com a realidade desse universo do mercado de trabalho a, então, ser explorado. Enfim, tudo é parte do projeto que fez a diferença, que “virou” e aconteceu.”, ressaltou.