Sem a merenda escolar, Patrícia relata dificuldades em alimentar os filhos

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Sem poder trabalhar por causa da pandemia, Patrícia Passos, ex-moradora de Paraisópolis, em São Paulo (SP), deixava seus bebês no CEI Santo Agostinho – ASA. Mãe de três filhos, agora passa o dia em casa com as crianças e o marido. A rotina da família mudou completamente depois que o Coronavírus chegou ao Brasil. Sem muito apoio e com medo da doença, Patrícia precisou mudar de casa, pois morava em um imóvel com dois cômodos, cinco pessoas e sem muitos recursos na comunidade.

A educação das crianças agora faz parte das atividades de Patrícia, que diz não saber lidar com a situação, que exige muito dela. Patrícia e o marido, como muitos outros brasileiros, não têm condições adequadas para educar os filhos em casa.

Com dificuldade para auxiliar as crianças nas atividades da escola, a mãe tenta acompanhar pela TV as aulas ao vivo e videoaulas que o governo oferece aos alunos durante o período de isolamento social.

“Estou bastante estressada e com medo do vírus, porque ficar em casa com três crianças não é fácil. Tenho um filho autista que exige minha atenção e os gêmeos também, mas o mais difícil é fazer a lição da escola com o Samuel*, o autista, pois ele tem muita dificuldade em aprender”, afirma a mãe.

Antes da pandemia, ela e o marido revendiam roupas em Paraisópolis. Todos os dias, eles saiam para fazer compras no Brás e vender na comunidade, como forma de sustentar os filhos. Para preservar a saúde da família, o casal parou de trabalhar e, hoje, vive da ajuda das organizações da comunidade de Paraisópolis.

“Esta cesta veio em um ótimo momento. Estou passando dificuldades, pois sem trabalhar não consigo colocar comida em casa. Para piorar, um dos gêmeos tem intolerância à lactose e o leite que ele toma é especial e muito caro. Hoje, não tenho condições de comprá-lo”, relata.

Com a suspensão das aulas presenciais, muitas crianças ficaram sem ter o que comer, sendo sua principal refeição a merenda antes oferecida na escola.

“Aqui na creche, com a verba da Prefeitura, damos os alimentos específicos para as crianças que têm alguma restrição. Deixamos todas as orientações, para cada uma delas, em um cartaz no refeitório, para não termos nenhum tipo de problema. Com a crise, algumas mães não conseguem o alimento especial para os filhos na rede pública e acabam comprando por conta própria, mas o custo sai muito alto. É um gasto que compromete muito a renda delas”, explica Alessandra Cunha da Silva, coordenadora do CEI Santo Agostinho.

Famílias e crianças em todo o Brasil, que recebiam alimentação nas organizações e escolas, estão agora em suas casas, sem alimentação e recurso. Segundo o estudo Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil 2020 – 2ª edição, lançado em agosto, o país tem 9,1 milhões de crianças e adolescentes em situação de extrema pobreza. Os números retratam a realidade de Patrícia, que falou sobre a importância da iniciativa.

“Esta ação é muito boa. O fato de lembrar das pessoas é muito importante, porque criança em casa dá muita despesa. A situação está mais difícil agora, pois não podemos trabalhar. As cestas básicas vão ajudar muito as famílias”, afirma.

O CEI Santo Agostinho, administrado pela Associação Santo Agostinho (ASA), foi um dos locais beneficiados pelas doações de alimentos e itens de higiene realizadas pela Fundação Abrinq. Desde março, a Fundação repassou recursos, feitos mensalmente às organizações conveniadas ao Programa Nossas Crianças, para apoiar as crianças, adolescentes e famílias que sofrem com os impactos da crise gerada pela pandemia.

“Espero que tudo isso passe, as crianças voltem para a creche, as pessoas trabalhem e o medo acabe, para voltarmos ao normal”, afirma Patrícia.

Infelizmente a realidade dela reflete a situação de diversas outras famílias neste momento. Mas com solidariedade é possível ajudar a minimizar os impactos causados pela pandemia. Clique aqui e saiba como ajudar. 



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